Os quatro compromissos

por jun 7, 2020Reflexões0 Comentários


“Os quatro compromissos”, de Don Miguel Ruiz é um dos meus livros favoritos. Essa obra trouxe novas formas de olhar para mim e para os outros através da sabedoria tolteca, um estilo de vida que se distingue pela pronta acessibilidade da felicidade e do amor. Ao escrever sobre os quatro acordos, percebo que o questionamento do autovalor já acontecia durante a leitura do livro no ano passado, porque uma das passagens que mais me chamou atenção foi:

“Apenas sermos nós mesmos é o maior medo dos humanos. Aprendemos a viver nossas vidas tentando satisfazer as demandas de outras pessoas. Aprendemos a viver pela perspectiva dos outros pelo medo de não sermos aceitos e não sermos bons o suficiente para outra pessoa”.

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Cada um de nós faz diversos compromissos com outras pessoas, Deus, sociedade, família, cônjuge e filhos, mas os mais importantes são aqueles que fazemos conosco. Através desses acordos (baseados no medo ou no amor) dizemos à nós mesmos quem somos, como nos sentimos, no que acreditamos e como devemos nos comportar, formando nossa personalidade. Os compromissos são muitos, mas nós não temos a oportunidade de escolher todos eles, porque passamos por um processo de domesticação. Tudo isso foi possível porque colocamos nossa atenção em cada um dos ensinamentos e concordamos com eles mesmo sem querer.

“As crianças acreditam em tudo o que os adultos dizem. Concordamos com eles e nossa fé é tão forte que o sistema de crenças controla todo nosso sonho de vida. Nós não escolhemos essas crenças, e talvez tenhamos nos rebelado contra elas, mas não fomos fortes o suficiente para vencer a rebelião. O resultado foi nos rendermos as crenças através da nossa concordância”

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Na domesticação humana, o sonho externo (da sociedade) contamina o sonho de cada um de nós. Durante esse processo, aprendemos linguagem, comportamentos adequados, como viver e como julgar pelo método de punição e recompensa. Esse treinamento formará o sistema de crenças que comandará nossa vida.

“Quando vamos contra as regras somos punidos; quando seguimos as regras somos recompensados. Somos punidos tantas vezes por dia e somos recompensados diversas vezes também. Logo ficamos com medo de sermos punidos e de não receber a recompensa. As gratificações são: atenção que recebemos dos nossos pais ou de outras pessoas como nossos irmãos, professores e amigos. Logo desenvolvemos a necessidade de chamar a atenção de outras pessoas para ganharmos nossa recompensa.”

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Felizmente, podemos mudar os compromissos se não gostamos de onde nos encontramos. Para iniciar a transformação, propõe-se quatro poderosos novos acordos que darão força pessoal suficiente para quebrar os antigos padrões, aqueles que advém do medo e roubam nossa energia, e assim poderemos criar nosso “céu particular” na Terra. Os quatro compromissos são:

Seja impecável com as suas palavras

Ser impecável é não ir contra você mesmo, assumir responsabilidade pelas suas ações, mas não julgar nem culpar a si. Ser impecável com as palavras significa usar a sua energia na direção da verdade e do amor por você mesmo.

Todas as vezes que ouvimos uma opinião e acreditamos, fazemos um acordo que se torna parte do nosso sistema de crenças. A fofoca também é um exemplo do mau uso da palavra que contamina a sociedade. A sua opinião é somente o seu ponto de vista, não é necessariamente a verdade. Nós criamos o veneno e o espalhamos entre os outros apenas para nos sentirmos com razão. Don Miguel cita Hitler e como o uso que fez de suas palavras trouxe consequências devastadoras a milhões de pessoas. Para o autor:

“Toda a magia que você possui está na sua palavra. Sua palavra é pura magia e o mau uso dela é magia negra. As palavras são tão poderosas que apenas uma delas pode mudar uma vida ou destruir milhões delas.”

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Você pode medir a impecabilidade da sua palavra pelo seu nível de amor próprio. Quanto você se ama e como se sente a respeito de si estão diretamente relacionados a qualidade e integridade da sua palavra. Comece por você, diga como é maravilhoso e o quanto se ama. A impecabilidade da palavra impactará positivamente toda a comunicação, inclusive em relacionamentos pessoais e até com os animais de estimação.


Não tome como pessoal

“A importância pessoal, ou levar as coisas para o lado pessoal, é a expressão máxima do egoísmo porque fazemos a suposição de que tudo é sobre ‘mim’. Durante o período da nossa educação, ou nossa domesticação, aprendemos a levar tudo para o lado pessoal. Achamos que somos responsáveis por tudo. Eu, eu, eu, sempre eu!

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Nada do que as pessoas fazem é sobre você, é sobre elas. Cada uma vive em seu próprio sonho que é completamente diferente do nosso. Quando levamos as coisas para o lado pessoal, fazemos a suposição de que elas sabem o que há no nosso mundo e tentam impor o mundo delas sobre o nosso. Mesmo nos momentos em que somos insultados diretamente, não é pessoal. O que as pessoas dizem, fazem e suas opiniões vem da programação que receberam durante a domesticação.

Levar as coisas para o lado pessoal torna-nos presas fáceis para os predadores, porque eles prendem nossa atenção com pequenas opiniões e nós concordamos ao levar para o pessoal. Ao sabermos quem somos, passamos a aceitar cada vez menos o lixo que os outros despejam em nós, até ficarmos imunes porque não precisamos ser aceitos.

“Como tem o hábito de não levar nada para o lado pessoal, você não precisará confiar no que os outros fazem ou dizem. Você só precisa confiar em si mesmo para fazer escolhas responsáveis. Você nunca é responsável pelas ações dos outros; você só é responsável por você. Quando realmente entender isso, e se recusar a levar as coisas para o lado pessoal, você dificilmente poderá ser prejudicado pelos comentários ou ações descuidadas dos outros.”

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Não faça suposições

O problema em fazer suposições é que acreditamos que elas são a verdade. Fazemos suposições quanto ao que os outros estão fazendo ou pensando – levamos para o lado pessoal – os culpamos e reagimos através de palavras venenosas. Por isso, é sempre melhor perguntar do que fazer suposições, mas nós temos de fazer perguntas.

“É muito interessante como a mente humana funciona. Temos a necessidade de justificar tudo, explicar e entender tudo, para nos sentirmos seguros. Temos milhões de perguntas que precisam de respostas porque há tantas coisas que a mente racional não pode explicar. Não importa se a resposta é correta; apenas a resposta em si nos faz sentir seguros. É por isso que fazemos suposições.”

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

 A forma de evitar as suposições é fazendo perguntas, se certifique de que a comunicação é clara. Se você não entendeu, pergunte. Tenha a coragem de perguntar até que a fique o mais claro possível. Assim, quando você ouvir a resposta não precisará fazer suposições porque saberá a verdade.

Encontre a sua voz para pedir o que você quer. Todos tem direito de dizer “sim” ou “não”, mas você tem o direito de perguntar. Da mesma forma, todos podem te pedir e você te direito de responder “sim” ou “não”.


Faça o seu melhor

“Em qualquer circunstância, sempre faça o seu melhor, nem mais e nem menos. Mas tenha em mente que o seu melhor nunca vai ser o mesmo de um momento para o seguinte. Tudo está vivo e mudando o tempo todo, então o seu melhor as vezes será de alta qualidade e outras vezes não vai ser tão bom”

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Se você faz mais, acaba esgotando seu corpo e vai contra si mesmo, não podendo mais realizar o objetivo. Se você faz menos do que o seu melhor, se sente frustrado, julga a si mesmo, sente culpa e arrependimento. Se você fizer o seu melhor, não tem como cair em autojulgamento.

Quando você faz o seu melhor, aprende a aceitar a si mesmo, mas você tem que estar atento e aprender com os erros. Para aprender com os erros, você precisa praticar, olhar honestamente para os resultados e continuar praticando.

Você sabe que está fazendo o seu melhor quando está gostando da ação ou fazendo-a de maneira que não terá repercussões negativas para você. Faça o seu melhor porque quer fazê-lo, não porque tem que fazê-lo ou está tentando agradar o juiz ou está tentando agradar outras pessoas.

“Não precisamos saber ou provar nada. Apenas ser, correr riscos e aproveitar sua vida, é tudo o que importa. Diga não quando quiser dizer não, e sim quando quiser dizer sim. Você tem o direito de ser você. Você só pode ser você quando faz o seu melhor.”

Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos.

Ao fazer o seu melhor, os hábitos de mau uso das palavras, levar as coisas para o lado pessoal e fazer suposições vão se tornar mais fracos e menos frequentes com o tempo. Esses novos acordos me ajudam a focar e a tomar decisões quando é preciso, espero que desperte novas perspectivas por aí também.


Fotos: Olia Gohza, Oleg Laptev, Lina Trochez, Paola Chaaya e Cristian Escobar

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